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A gente que não sente

Numa altura em que se celebra a liberdade e que se relembra os quês e porquês do 25 de Abril, é cada vez mais importante não nos deixarmos distrair com os cravos na rua, discursos populistas ou grandes concertos (como o do Bezegol no Porto), e mantermo-nos cada vez mais atentos à tensão que, por exemplo, a subida dos partidos de extrema direita em países como a Holanda ou França, pode representar para a vida de todos. 

No passado dia 22 de Fevereiro o rapper espanhol Valtonyc (José Miguel Arenas Beltrán) foi condenado a três anos e meio de prisão, acusado de incentivar ao terrorismo, e diferir calúnias, ameaças e injúrias contra a coroa espanhola e outros políticos, maioritariamente ligados ao Partido Popular. O angolano Luaty Beirão já foi por várias vezes condenado, preso ou detido (inclusivé em Portugal), acusado, entre muitas coisas, de coautoria de atos preparatórios para uma rebelião. No passado 9 de Abril em Setúbal, o rapper Krazye Loco, foi interpelado por agentes da autoridade, intimidado e ameaçado caso não retirasse uma das suas músicas na internete (leiam o relato do acontecido neste link). Artistas perseguidos pelas suas palavras, pela sua arte, tal como Zeca Afonso, Fausto, Sergio Godinho, Luís Cília ou Adriano Correia de Oliveira o foram antes de 1974. É cada vez mais importante falar e lutar pela liberdade e não a tomar como garantida, é preciso definir liberdade de expressão e oficializar a importância do contexto, e parar de dar o benefício da dúvida a regimes políticos ou partidos. É preciso lutar, pois a suposta liberdade conquistada em 74, está-se a transformar cada vez mais numa liberdade condicional, e em poucos anos há um grande risco de voltarmos para a prisão.

 

 

                                                                                                          

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